sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

E a trema?

A reforma ortográfica ainda nem começou oficialmente e já está fundindo todos os neurônios. De repente termos de aprender a escrever "ideia" em vez de "idéia" (uma mudança que acho absurda), "motosserra" no lugar de "moto-serra", entre outras maluquices, minha amiguinha, a trema, será levada para o limbo da ortografia arcaica.

Sim, eu uso a trema. Acho bonito escrever "cinqüenta", "lingüiça", "cagüeta" (perái, é cagueta ou cagüeta?). O som que a trema sinaliza é um dos mais bonitos da fonética, na minha humilde opinião. Acho que nunca conseguirei escrever "linguiça". agora compreendo como se sente meu professor que continua escrevendo "êle", mesmo depois da reforma dos anos 70.

Purista? Talvez eu seja mesmo. Sei que a reforma pretende unificar os países que falam português e facilitar o trânsito de documentos entre eles, mas acho que as diferenças de cada regionalismo dão o charme à lingua. Adoro os pê´s e os cê´s mudos de portugal, adoro as proparoxítonas, os ditongos e, claro, a trema.

Vida longa à trema!

domingo, 16 de novembro de 2008

Yes, nós temos bananas!

Foi em 1925.

O grupo de viajantes deixava a Áustria destruída pela guerra e atravessaria o Atlântico para fazer a América. Antes, no entanto, o navio faria uma rápida escala na França para se abastecer. Ao chegarem na terra de Napoleão, um pequeno grupo de imigrantes - um senhor, seus dois sobrinhos de uns quinze anos, uma sobrinha e um punhado de amigos - viram um homem vendendo banana junto ao cais. Eles nunca haviam visto tal fruta, exótico exemplar tropical.

- Quanto custa? - perguntou um deles.

O verdadeiro valor pago pela fruta se perdeu com o tempo, mas quem contou a história garante que era caro. Um preço absurdo. Mesmo assim, eles ansiavam por experimentar aquele amarelo exuberante. Cada um deu um pouquinho dos marcos que ainda llhes restavam e compraram uma única banana, que foi dividida em pedacinhos miúdos para que todo mundo experimentasse.

Era maravilhoso! Não havia nada tão doce assim na Áustria que não fosse indsutrializado. Pensar que a natureza era capaz de produzir sozinha uma delícia daquelas era de deixar qualquer um maluco. Pena que durou tão pouco...

Dois meses depois, o grupo chegou ao Porto de Santos...

Um dos sobrinhos viu um mulato vendendo bananas no cais e avisou os outros. Será que eles ainda conseguiriam juntar dinheiro para comer mais uma? Não custava tentar...

Lá foram eles juntar mais um pouco de dinheiro e trocar na casa de câmbio. Dali foram direto falar com o vendedor.

- Dá para levar alguma banana com esse dinheiro? - perguntou um deles.

Eis o que o homem entregou: quase dez caixas cheias de bananas.

Brasil é isso aí, gente!
____________________________________________________________________

Essa história está na minha família há anos. Meu bisavô Roch era um dos sobrinhos, e contou a história a minha mãe, que contou a mim. Pelo o que sei ele adorava bananas.

domingo, 26 de outubro de 2008

Faixa a Faixa: Os Mutantes - Jardim Elétrico

"Jardim Elétrico", lançado em 1971, foi o quarto disco de estúdio dos Mutantes. Há quem ache esse um dos mais fracos discos do grupo mas, particularmente, é um dos meus prediletos.

Cinco músicas do álbum deveriam fazer parte de "Technicolor", um LP produzido para o mercado externo que acabou sendo cancelado e finalmente lançado em 2000.

A capa: Jardim Elétrico ostenta uma capa completamente psicodélica. Os mais observadores podem notar que a planta gigante no jardim é um pé de maconha estilizado.

As Músicas:

1 - Top Top (Mutantes/Liminha) - O nome da música e o verso "Eu quero que você se Top Top Top" é uma referência ao Frade, personagem icônico de Henfil que sempre dizia essa frase na conotação sacana que todo mundo conhece ( Eu quero é que você se F....).

Curiosidades a parte, a música começa com um solo poderoso que mostra o que os Mutantes eram capazes de fazer em termos de rock. Não é a toa que Rita tem a música no set list de seus shows até hoje.


2 - Benvinda (Arnaldo Baptista/Rita Lee) - Essa balada tem uma "pegada" ao estilo Tim Maia nos anos70 ( e vamos lembrar que uma das melhores fases do síndico foi nessa época). O soul, o teclado e a voz grave exagerada de Arnaldo podem parecer uma paródia, ou até mesmo uma afronta pelos roqueiros mais fanáticos. Moral da história: pessoalmente, não sou fã dessa música, mas ela merece atenção.


3 - Tecnicolor (Arnaldo Baptista/ Rita Lee/ Sérgio Dias) - Tecnicolor era uma das faixas que deveria fazer parte do álbum homônimo aser lançado para o público estrangeiro. Totalmente em inglês e claramente inspirada no grupo The Mamas and The Papas, a canção é obrigatória para quem quer conhecer o som dos Mutantes.

Dica da Jacquinha: escute a música durante uma viagem de ônibus ou trem, e veja a pisagem pela janela. O piano inspirado e a percursão hipnótica farão do momento uma experiência única.


4 - El Justiciero (Arnaldo Baptista/ Rita Lee / Sérgio Dias) - Esta é a primeira música do álbum na qual o grupo volta ao deboche que os havia consagrado nos discos anteriores. O texto em portunhol é impagável. A narração num inglês carregado de sotque hispânico parodiando os filmes de matinê cconsegue ser ainda mais engraçada que a música .


5 - It´s Very Nice praXuxu (Arnaldo Baptista/ Rita Lee / Sérgio Dias) - Outra música que faz parte do lado humorístico. A voz esganiçada de Arnaldo e os teclados Hammond na voltagem psicodélica fazem dessa música que não diz nada com nada uma pérola do nonsense.


6 - Portugal de Navio (Arnaldo Baptista/ Rita Lee / Sérgio Dias) - Essa música me lembra os filmes de espionagem (pelo menos na minha fértil imaginação). Já imaginei até mesmo um episódio da clássica série Agente 86 tendo esse rock/blues sobre um amor não correspondido como mote.
Curiosidade: Certo dia estava assistindo a novela argentina Lalola e qual não foi minha surpresa ao reparar que os produtores utilizaram Portugal de Navio como música tema do neurótico chefe da protagonista?


7 - Virgínia (Arnaldo Baptista/ Rita Lee / Sérgio Dias) - Originalmente composta em inglês para o finado álbum para o público estrangeiro, a balada melancólica foi escrita por Sérgio em homenagem à Virgínia Lee, irmã de Rita. Uma bela canção com um refrão pegajoso (Senhor Sol/ Me dê de volta Virgínia repetido até dizer chega).


8 - Jardim Elétrico (Arnaldo Baptista/ Rita Lee / Sérgio Dias) - A faixa-título do álbum demonstra claramente que os músicos estavam mais interessados em experimentar novas possibilidades sonoras que em letras irônicas como as do início da carreira. Os poucos versos são um mero pretexto para os irmãos baptista fazerem um rock mais pesado e psicodélico ao estilo Jimmi Hendrix, caso que se repete em Saravá.


9 - Lady Lady (Mutantes/ Liminha) - Talvez os Mutantes nunca tenham dixado sua admiração pelos Beatles tão explicita como em Lady Lady. Tanto os acordes claramente inspirados em Penny Lane quanto a singela letra sobre um rapaz abandonado pela companheira são um bela homenagem aos quatro meninos de Liverpool e uma das melhores músicas do álbum.


10 - Saravá (Arnaldo Baptista/ Rita Lee / Sérgio Dias) - A exemplo do que acontece em Jardim Elétrico, a letra meio hippie quase inexistente cede espaço para os solosde guitarra nervosos de Arnaldo.


11 - Baby (Caetano Veloso) - Essa bonita versão em inglês da música de Caetano também estava incluída no álbum Tecnicolor. O grupo revisita a canção com toques de bossa nova mas, na humilde opinião da pessoa que vos fala, é apenas um "tapa-buraco" no disco, pois Baby ja havia sido gravada em português numa versão super debochada no disco de estréia do grupo. Fica a impressão de ser a famosa "chamada comercial" feita a toque de caixa para os gringos.


Gostou do texto? Comente e faça uma blogueira feliz!
Ficou com vontade de ouvir o CD?
Clique aqui : http://www.4shared.com/file/38857548/39827188/Mutantes_Os_-_Jardim_Eltrico__1971_.html?s=1